OS POETAS
Ao Albano Martins
É preciso ler os poetas
na sua língua
com rodelas de tomate
e um fio de azeite
ao correr de cada verso.
É preciso chorar
as lágrimas que eles insistem
em soltar no silêncio
de indecisas madrugadas.
É preciso ouvir
o modo como caminham cantando
contra os muros revestidos
pelo arrepio das barbáries.
É preciso aprender com eles
a arte tranquila de habitar a brisa
em Maio
e dedilhar
o alaúde lunar
por baixo dos aloendros.
É preciso dizer que eles são poetas
perigosíssimos seres de olhos carregados
do mais doce sumo das cerejas.
São poetas e voam
como pombas na sílaba do mel.
São poetas e guardam
com horror a memória de terras
profanadas.
Nascem em Lisboa
Dublin
em Granada ou num gueto
de Varsóvia.
Se alguém te perguntar
ó meu irmão
diz que eles são poetas.
Bebem pétalas caminham
sobre a água das palavras.
São poetas
e venham de onde vierem
nasceram sempre ao teu lado
meu irmão
na raiz
do perfeito coração.
2 Comments:
desculpe lá, mas o curriculum acima, à direita, é por estar desempregado?
Raio da economia nacional!
BFS
A poesia é uma das formas possíveis que dispomos para REGISTAR a VIDA...
logo tem forçosamente todos “condimentos”... :)
( escrevo às gargalhadas...
é inevitável com o comentário do parvo tão próximo...)
deixo um beijo
(entre as gargalhadas)
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