sábado, abril 29, 2006

OS POETAS

Ao Albano Martins



É preciso ler os poetas
na sua língua
com rodelas de tomate
e um fio de azeite
ao correr de cada verso.

É preciso chorar
as lágrimas que eles insistem
em soltar no silêncio
de indecisas madrugadas.

É preciso ouvir
o modo como caminham cantando
contra os muros revestidos
pelo arrepio das barbáries.

É preciso aprender com eles
a arte tranquila de habitar a brisa
em Maio
e dedilhar
o alaúde lunar
por baixo dos aloendros.

É preciso dizer que eles são poetas
perigosíssimos seres de olhos carregados
do mais doce sumo das cerejas.

São poetas e voam
como pombas na sílaba do mel.

São poetas e guardam
com horror a memória de terras
profanadas.

Nascem em Lisboa
Dublin
em Granada ou num gueto
de Varsóvia.

Se alguém te perguntar
ó meu irmão
diz que eles são poetas.
Bebem pétalas caminham
sobre a água das palavras.

São poetas
e venham de onde vierem
nasceram sempre ao teu lado
meu irmão
na raiz
do perfeito coração.

2 Comments:

At 12:39 da tarde, Blogger parvo mesmo said...

desculpe lá, mas o curriculum acima, à direita, é por estar desempregado?

Raio da economia nacional!

BFS

 
At 1:03 da tarde, Blogger Papoila_Rubra said...

A poesia é uma das formas possíveis que dispomos para REGISTAR a VIDA...
logo tem forçosamente todos “condimentos”... :)


( escrevo às gargalhadas...
é inevitável com o comentário do parvo tão próximo...)

deixo um beijo
(entre as gargalhadas)

 

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