OS RESISTENTES
Porque estamos em ABRIL este poema dedicado a
dois homens de ABRIL e dois queridíssimos amigos e
companehiros.
Ao Xico Fanhais e ao Manuel Freire
Acumulam derrotas e naufrágios.
Perderam amigos e haveres.
Mas sonham.
Caíram dez vezes
e onze se levantaram.
Porque sonham.
Nos seus olhos há torrões
de terra
cordões umbilicais
e a espuma vermelha de cavalos verdes.
Eles sonham.
Em cada gesto deixam a pairar
um aroma essencial de coiro curtido
ou alfazema.
Renascem dia-a-dia
agarrados à palavra mais fraterna
de todos os alfabetos.
São meninos transparentes
no imenso carrossel da luz.
Entram pela casa do padeiro
como fosse a sua.
Entram pelo mar do pescador
e compartilham peixe
e cicatrizes ancestrais.
Atravessam oceanos para levar o lume
ao alto das montanhas.
Falam na língua do cristal e da prata.
Bebem vinho.
Cantam.
Afagam a memória.
Passam devagar um dedo pela linha
de cada ruga e relembram
as margens duras do fogo
tornando mais amável
a imensa geografia deste mundo.
José Fanha
3 Comments:
Quem não sente orgulho em ter por Mestre um Poeta que escreve assim?
Eu sinto.
Beijos.
Licínia
Olá.
Vou levar este poema sorrateiramente (já que sou uma pirata informático, hihi...) para o colocar na minha Escola.
Todos vão gostar de ler.
Beijinho.
E como eles tantos outros, anónimos entre os demais. Tenho alguns casos desses bem próximos! É preciso lembrá-los, SEMPRE!
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