quarta-feira, abril 19, 2006

UM POETA SÍRIO

MUHAMAD AL-MAGHUT



O INVERNO



Como lobos em tempo de fome
crescemos por toda a parte
amámos a chuva
adorámos o Outono
e um dia até pensámos
enviar uma carta a agradecer ao céu
com uma folha de Outono em vez de selo
Acreditávamos que as montanhas desapareceriam
os mares desapareceriam
as civilizações desapareceriam
e só o amor seria eterno.

Subitamente afastámo-nos
ela gostava de grandes sofás
eu gostava de grandes navios
ela gostava de ficar a olhar e a conversar nos cafés
eu gostava de saltar e gritar nas ruas
e apesar de tudo
os meus braços vastos como o universo
estão à sua espera...

Tradução a partir do inglês de José Fanha

4 Comments:

At 10:38 da manhã, Blogger Licínia Quitério said...

Os Poetas são mesmo feitos do pó das estrelas...
Abraço, Mestre.
L.Q.

 
At 12:29 da tarde, Blogger zmsantos said...

Sofás e navios, raramente se conjugam.Só na poesia eles terão alguma chance de se encontrar...

Abraço, companheiro.

 
At 1:47 da manhã, Blogger Papoila_Rubra said...

Este comentário foi removido por um administrador do blogue.

 
At 1:53 da manhã, Blogger Papoila_Rubra said...

“os meus braços
vastos como o universo
estão à sua espera...”


Humm...que bom um abraço côncavo
aberto para um corpo convexo!

Há que saber degustar as diferenças, quando estas não são incontornáveis divergências... :)

Eu digo apenas: o côncavo e o convexo... encaixam tão bem!!!...

beijo

5:47 PM

 

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