UM POETA SÍRIO
MUHAMAD AL-MAGHUT
O INVERNO
Como lobos em tempo de fome
crescemos por toda a parte
amámos a chuva
adorámos o Outono
e um dia até pensámos
enviar uma carta a agradecer ao céu
com uma folha de Outono em vez de selo
Acreditávamos que as montanhas desapareceriam
os mares desapareceriam
as civilizações desapareceriam
e só o amor seria eterno.
Subitamente afastámo-nos
ela gostava de grandes sofás
eu gostava de grandes navios
ela gostava de ficar a olhar e a conversar nos cafés
eu gostava de saltar e gritar nas ruas
e apesar de tudo
os meus braços vastos como o universo
estão à sua espera...
Tradução a partir do inglês de José Fanha
4 Comments:
Os Poetas são mesmo feitos do pó das estrelas...
Abraço, Mestre.
L.Q.
Sofás e navios, raramente se conjugam.Só na poesia eles terão alguma chance de se encontrar...
Abraço, companheiro.
Esta mensagem foi removida por um administrador do blogue.
“os meus braços
vastos como o universo
estão à sua espera...”
Humm...que bom um abraço côncavo
aberto para um corpo convexo!
Há que saber degustar as diferenças, quando estas não são incontornáveis divergências... :)
Eu digo apenas: o côncavo e o convexo... encaixam tão bem!!!...
beijo
5:47 PM
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