terça-feira, junho 06, 2006

QUE CHEGASSES SEMPRE ASSIM

QUE CHEGASSES SEMPRE ASSIM


Que chegasses
sempre envolta
em leite e lua e luz difusa
desviando
todo o espinho,
preservando
o espanto de uma rosa aberta
ao sopro da seara
do amor.

Que chegasses
sempre ardendo
em lume azul
e sem sequer tocar o chão.

Que chegasses
decididamente vertical
caminhando pelas páginas
de um livro
bordado a pétalas vermelhas.

Que acendesses
sinos repicando
num domingo de casas
muito brancas
e meninos a acordar
em volta do pão quente.

Que chegasses
deslizando por cascatas verdes
e soltasses
um novelo de palavras e sussurros
e aplainasses
toda a ruga
toda a dor
ou desacerto.

Que chegasses
em torno do topázio
no tempo dos comboios
que caminham docemente
pelas linhas da nossa mão.

Que viesses
trazida por navios de muito longe
envolta num cortejo de pequenos peixes
e espalhasses pela rua
a longa cabeleira
dos diademas nocturnos.

Que chegasses com o vento
com a chuva
com o ouro do Verão
com a melodia dourada do mar.

Que chegasse
e chegasses
e nunca mais parasses
de chegar.



José Fanha

7 Comments:

At 11:52 da tarde, Blogger OrCa said...

Será musa em forma-cor de topázio, ou um abraço em tempo-luz de rubi, mas chegará!

Amanhã, na Feira do Livro!

Um abraço.

 
At 9:48 da manhã, Blogger Vasco Pontes said...

Olá Fanha,
Um prazer ler-te, já sabes. Perceber tudo à primeira e voltar atrás e perceber imensas outras coisas. É assim que eu gosto.
Abraço

 
At 10:00 da manhã, Blogger Isabel José António said...

Que chegasse a plenitude do Ser Humano
Livre da ganância das coisas a haver
Um abraço sentido e não mais um fulano
Saber que apenas todos podemos SER

Que chegassem os sorrisos e os risos
A magia dos aromas do Verão, maturação
Os rostos limpos sem nenhuns frisos
E que a música entrasse no coração

Mas somos todos tudo isso e mais
Somos magos desta vontade de sonhar
Com a pureza,a liberdade, os pardais
Com viagens prontas a realizar

Se se nos limitassemos a SER?
Unicamente a sentir a vida a grassar
Para que pudessemos apenar VER
O caminho entre o ir e o regressar?

Um abraço caro amigo

José António

 
At 12:24 da tarde, Blogger Papoila_Rubra said...

cheguei :)

beijos

 
At 4:13 da tarde, Blogger Paulo Osrevni said...

Belíssimo!

 
At 12:01 da tarde, Blogger Menina_marota said...

Embalo-me
em
palavras
segredadas

Doce
quimera
alada
na
medida
justa
da minha
fantasia

Cerca-me
enreda-me
entre
o
ponto
e a
vírgula…

Dá-me
momentos
de
puro
deleite
na
fantasia
do teu
sonhar…


Um abraço ;)

 
At 4:10 da tarde, Blogger folhasdemim said...

Maravilhosos os seus poemas.
Beijos, Betty

 

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