quarta-feira, agosto 23, 2006

GEOGRAFIA

GEOGRAFIA

Do meu lugar não há registos
nem mapas
nem retratos.

Para falar dele terei de mencionar
um raio de sol manso
a nascer na transversal
das tábuas do soalho.

O meu lugar é a pura geografia.
Sem o sítio.
Mais o sítio.
Continente doce onde se inscreve
o pão de cada dia
e a mecânica dos ossos a ranger.

No meu lugar
a primavera nasce
suave e rumorosa
suspensa sobre pétalas de luz.
Cada pequeno animal
sai da pedra que o protege
e corre pelo seu mundo que é também o meu mundo
e leva os meus olhos
e regressa com perguntas.

O meu lugar existe
porque existe uma andorinha a dançar
em seu redor
e tudo se torna verde e depois maduro
e há um sumo de laranja
que escorre dos lábios por volta do meio-dia.

No meu lugar há círculos abertos
e todas as poções intentam misturar-se
para que a voz do coração se torne
num ofício de ventos e de cravos.

O meu lugar
é tão belo.

É tão belo
e tão breve
o meu lugar.

6 Comments:

At 3:51 da tarde, Blogger Paula Raposo said...

Ouço-te a declamares este poema tão bonito! Beijos.

 
At 4:14 da tarde, Blogger zemanel said...

Parabéns Fanha!!

 
At 11:17 da manhã, Blogger Licínia Quitério said...

E fico a pensar que é num lugar assim que os Deuses sorriem aos Poetas. Obrigada.
Beijo.

 
At 3:10 da manhã, Blogger Maria said...

Lindo, português aqui!...

 
At 11:05 da tarde, Blogger Papoila_Rubra said...

Nesse teu lugar, abundam brisas de ternura... dá para senti-las... que BOM!!

( roubei um bocadinho para mim...)

 
At 7:49 da tarde, Blogger Tiago Carvalho said...

Um abraço José Fanha, teu aluno e amigo
Tiago
http://geometricasnet.blogspot.com/
www.geometricas.net
tiagotiagotiago@yahoo.com

 

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