terça-feira, setembro 19, 2006

AO PASSAR POR ESPINHO

AO PASSAR POR ESPINHO

As ruas nasciam
de dentro dos comboios
e seguiam
direitas ao mar.

Os olhos dos meninos
tornavam-se navios
e alongavam
todo o novelo do peito
até ao fim da linha azul
do longe.

As casas abriam as janelas
e sorriam
à limpeza do ar.

Mas isso era no tempo
em que os comboios cantavam
com sotaque lento
e pousavam
por vezes
nalgum ramo de pinheiro
enquanto o mundo descansava
de tão longa caminhada.

quarta-feira, setembro 06, 2006

HISTÓRIAS

HISTÓRIAS

Conta-me uma história
carregada de orientes
músicas suaves
e perfumes.

Uma história envolta em pérolas
princesas
e peixes deslumbrantes.

Senta o meu olhar na tenda do deserto
sob a grande lua.
Peço: mostra-me os teus mapas irreais.
Fala-me do mar
ilhas misteriosas
a pimenta e a canela.

Desenha com palavras o brilho dos topázios
e o deslumbre sonoro
das intensas noites tropicais.

Não te contenhas. Voa.
Tece palavras e milagres.
Inventa-te anil vermelha e violeta.
Rouba à terra as cores ferruginosas.
Rouba aos rios o seu leito luxuoso de calhaus rolantes.
Toca os meus lábios com a seda sequiosa dos teus lábios.

Conta-me uma história
de ladrões felizes.


(IN "tEMPO AZUL")